quarta-feira, 16 de abril de 2008

Abstinência de 'não lixos'

Ninguém precisa questionar-me o fato de ter escolhido jornalismo como opção de curso superior e futuramente como profissão. Eu mesma já o fiz, e já encontrei a resposta que, no momento, contrasta, ou melhor, vai de encontro com a minha situação nos últimos dias.
Ao questionar-me com relação à escolha deste curso, respondi-me o que a maioria dos estudantes de comunicação usa como argumento para justificar tal escolha: Considero-me uma pessoa comunicativa (obvio), e gosto de escrever. Pronto. Cheguei onde queria. Gosto de escrever? E como! Não sou escritora, muito menos poeta. Mas gosto muito de escrever. Inclusive qualquer coisa.
Sei que já escrevi muita ‘qualquer coisa’ de qualidade, que a minha modéstia não me permitiu admitir. Mas sei também que já escrevi muito lixo. No entanto, nunca se sabe, né? Vejo tanta gente lendo lixos, e achando lindo. Livro de cabeceira: A história de Bruna surfistinha. Bom, depois dessa, eu me sinto no direito de achar que meus lixos nem são tão lixos assim (estou me baseando na mediocridade alheia mesmo).
Mas ultimamente venho percebendo que a situação está fugindo do meu controle, e os lixos estão cada vez mais ‘fétidos’. Passei dez dias sem postar no blog, fiz seis textos: quatro deles sem um final, e os outros dois, concluídos. Porém péssimos. Como me auto-critíco além da conta, criei a esperança de que eles não estivessem tão fétidos assim. Resolvi postar o ‘menos pior’ aqui no blog. Postei.
Tenho um amigo (gordinho ♥). E ai, gordinho, que elogiou o meu ultimo texto (fiquei surpresa, confesso), pede que eu apague, releia e reescreva o texto que tinha acabado de postar. E assim o fiz, ou pelo menos tentei. Porque a ultima e mais prazerosa etapa, a de reescrever, foi frustrante ao ponto de não ter sido concluída.
E ai eu passo a sentir-me cada vez mais ‘lixo’ com relação aos meus textos.
Preciso de uma reciclagem.

sábado, 5 de abril de 2008

Estive pensando...


Essa noite sonhei que, juntamente com meus pais e irmão, lutava contra um monstro, e lembro-me vagamente de que após lutarmos muito, morríamos.
Engraçado, pois já não tenho idade para ter pesadelos com monstros enormes e assustadores, como eu tinha quando era criança e passava minhas tardes assistindo desenho animado.
Fiquei tentando entender o porquê de um sonho ‘infantil’. E comecei a relacionar com os ‘monstros’ que tenho que enfrentar no meu cotidiano. Deparei-me com monstros do pedantismo, do egoísmo, da prepotência, e para mim o mais assustador de todos: o da hipocrisia. Com algumas exceções aqui, outras acolá, todos nós somos um pouco hipócritas, pedantes, egoístas, e assim por diante. E ainda existe a categoria dos que não fazem questão alguma de trabalhar para se tornar uma exceção.
Se fosse ao contrário, e aqueles que fazem à diferença fossem os monstros e o restante, fosse as exceções colocadas acima, de fato, não ‘morreríamos’ como aconteceu no sonho.
E os culpados nunca somos nós. Como sempre. Como a culpa de Fulanos e Beltranos estarem a roubar, mesmo que Fulanos estejam roubando nas janelas dos carros e Beltranos (sem precisar fazer muito esforço) de suas confortáveis cadeiras em seus escritórios, não seja nada nossa.
Muitos Fulanos, com certeza, lutam com o monstro chamado fome. E Beltranos? Lutam com quem? Não, são apenas monstros. E são dos maiores, mais fortes e amedrontadores. São constituídos de hipocrisia e prepotência em doses muito fortes.
Se eu acabasse esse texto dizendo que gostaria que Fulanos, Monstros, pedantismo e egoísmo, fosse um sonho, estaria cometendo três graves erros: Clichê da pior espécie, e estaria sendo ingênua e sensacionalista. Portanto, prefiro continuar apenas pensando...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sinceramente, o que falta em mim é coragem.
Coragem pra ser do jeito que eu acho legal (não acho que sou do jeito que algum sistema impõe. Eu sou o que eu gosto de ser. Mas eu deixo de ser de muitos ‘jeitos’ por falta de coragem), coragem pra ‘beber cicuta’, coragem de abstrair elogios que recebo, ainda que agradem aos meus ouvidos (sei que os poucos verdadeiros vêm de quem tem coragem), coragem de ser ousada e, principalmente, coragem pra deixar que sejam submissos por mim.
Queria saber onde vou encontrar essa coragem, mesmo que seja passageira, eu a quero. Quero saber qual é a sensação de ter comigo isso que mais me faz falta. Tenho certeza que com ela eu conheceria como é ser tudo o que eu tenho vontade de ser por não ter comigo. E até mesmo o que eu abomino, ou finjo que abomino, por não conhecer e não ter coragem de conhecer.Deixei de viver histórias clássicas de adolescentes, porque não me deixaram descobrir essa tal de coragem. Ainda tenho muito tempo, só depende de mim, eu sei. Espero descobri-la a tempo, nem que seja para viver histórias clássicas de velhinhos.